Logomarca Assembleia de Deus- Campo Iporá

Súmula da História da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Iporá.

Pr. Moizeis A. Gomis.
“E Disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Espírito Santo e confirmando a palavra por meio de sinais que se seguiam. Por isso, não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Mc16.15e20;At 4.20).

Introdução.

A história dos avivamentos do Espírito Santo, através da missão da Igreja de Jesus Cristo, começou no Dia de Pentecostes. A partir de então, com maior ou menor freqüência e intensidade, a atuação sobrenatural de Deus sempre esteve presente nas pegadas da evangelização, passando pelos tempos apostólicos, medievais, modernos, até chegar aos dias atuais, como um “testemunho dos séculos”. Há abundantes evidências bíblicas e documentais que comprovam isto, além de muitos outros avivamentos que escaparam aos registros da história eclesiástica, mesmo tendo ocorrido de forma semelhante àqueles dos tempos apostólicos.

O movimento que deu origem à Assembléia de Deus no Brasil e a tantos outros segmentos carismáticos teve o seu começo na Rua Azuza, em Losângeles, nos Estados Unidos da América. Gunnar Vingre e Daniel Berg,, os pioneiros fundadores desta denominação evangélica, iniciada em Belém, no Estado do Pará, em 1911, foram frutos daquele poderoso avivamento do Espírito Santo. A chama pentecostal que eles trouxeram da outra América e atearam naquela capital, alastrou-se de forma rápida e incontida, por todo o país, tanto nos centros urbanos como nos ermos sertões. E foi assim que, em apenas três décadas, esse fogo divino já se fazia presente em Goiás, particularmente no oeste goiano, dando origem à Assembléia de Deus em Iporá, que veio a ser uma igreja mãe de muitas outras e um celeiro de missões.

Cenário das Maravilhas de Deus.

Oeste de Goiás, Zona do Mato Grosso Goiano. Essa é uma região que presenciou as graciosas e sobrenaturais realizações de Deus. Recanto ermo de um sertão abençoado com uma paisagem de morros e espigões, de montanhas e serras que emolduram vales e furnas cobertas de matas exuberantes e férteis, recortada por rios, ribeirões e córregos e ainda povoada por uma fauna abundante e rica em espécies. Dois cursos fluviais merecem destaques nesse cenário bucólico, em razão da importância geográfica e histórica que representam: os rios Claro e o Caiapó. Ambos têm suas nascentes no Espigão Mestre que divide as águas norte e sul do Brasil. Nascem, respectivamente, nas proximidades das centenárias cidades de Paraúna e Caiapônia, distantes cerca de duzentos quilômetros uma nascente da outra e correm, mais ou menos paralelos, na direção sudeste-noroeste, serpenteando por entre matas ciliares e cerrados, saltando travessões e cachoeiras até se desaguarem no majestoso rio Araguaia. Seus leitos e águas cristalinas eram (e ainda são) depositários de diamantes e ouro de aluvião, além de abundantes cardumes.

Com as mudanças ocorridas no país, em decorrência da Revolução de 30, que pusera fim à República Velha e ao domínio dos coronéis, Goiás experimentou um novo período de mudanças e de desenvolvimentos, com a construção de Goiânia, a ampliação da rede ferroviária e a Marcha para o Oeste que abriu novas rodovias e facilitou a migração para o interior do país. Com isso, o centenário isolamento de Estado periférico foi rompido, inaugurando um surto de progresso e de intensa migração para o território goiano, vinda principalmente de Minas Gerais e São Paulo.

Como cerca de 80% dos migrantes eram de camponeses em busca de terras para plantar e criar houve uma rápida ocupação das extensas áreas de terras férteis do Mato Grosso Goiano, outrora sob o domínio das oligarquias dos coronéis, agora depostas do poder e desapropriadas de grande parte de suas propriedades, pela nova situação política. Foi no rastro desse contexto histórico, que dezenas de famílias, particularmente do Triângulo Mineiro, se estabeleceram nas bacias dos rios Claro e Caiapó. Dentro de poucos anos, as imensas florestas deram lugar às lavouras e pastagens, onde surgiram belas fazendas. Os mais aquinhoados construíram suas sedes com casarões de telhas, ainda com traços do estilo colonial, de espigão, com portas e janelas grandes, pintadas de verde ou azul e as paredes caiadas de branco. Na frente, eram protegidas por um pátio de madeira fincada cheio de plantas ornamentais, com muitas flores multicoloridas. Aos fundos, existiam amplos quintais também cercados de lascas de aroeira fincadas, com belo s pomares de variadas espécies de frutas. Para completar a benfeitoria, ergueram enormes currais, com dois ou três repartimentos, geralmente na frente das casas, cujo acesso a elas se fazia através de um longo corredor de aproximadamente duzentos metros de extensão por vinte de largura. Tudo feito de madeira de lei, e do tipo “cerca-de-corrente”. Também não faltavam o açude com rego d’água, a bica na varanda e o monjolo de limpar arroz e pilar milho para fazer farinha, a tulha cheia de mantimentos, paiol abarrotado de milho, o carro de boi equipado com tralha para cinco ou seis juntas de bois carreiros, para escoar a produção e abastecer a fazenda com sal, ferramentas, arame farpado para cercar patos, querosene para iluminação e outros artigos manufaturados comprados na cidade.

Cada fazendeiro tinha seu gado leiteiro, de cria e recria, tropa de montaria, capados gordos no chiqueiro, porcada solteira no mangueiro, galinhas e galinhas de Angola, patos e perus sem conta, soltos no terreiro. Possuía ainda um engenho de pau, onde se fabricava rapadura, “açúcar-de-forma” (mascavo), e alguns até destilava cachaça no alambique, que, além de servir de “agrado” aos amigos, era usada como “moeda” para pagar mão-de-obra de peões, na forma de escambo. Apesar da vida dura que levavam esses pioneiros, mesmo assim vivenciavam um mundo de fartura, num tempo em que se “amarrava cachorro com linguiça!” Não havia fome e tampouco miséria. Até a roupa usada na lida do dia-a-dia era produzida domesticamente pelas fiadeiras e tecedeiras. Nem havia camponeses sem terra para plantar, pois quem não podia compra-la, tinha acesso a ela pela a agregação: o fazendeiro cedia sua propriedade para o lavrador morar e trabalhar, pagando-lhe o arrendamento com uma porcentagem da produção. Mesmo sendo o proprietário o maior beneficiado, pelo menos não havia êxodo rural com os consequentes problemas urbanos e nem conflitos agrários, nas proporções da realidade atual do MST.

Era uma sociedade pacata, que valorizava a honestidade, a solidariedade, o respeito à família e a honradez no trato, onde a palavra tinha força de documento escrito e um fio da barba a validade de nota promissória. Fatos violentos ocorriam, eventualmente, por questões passionais ou brio ferido “em defesa da honra”. A religiosidade estava presente em toda a rotina das pessoas. Começavam e terminavam o dia invocando a Deus, fazendo o sinal da cruz, geralmente rezando o Pai Nosso e a Ave Maria. Era comum haver nas casas um oratório na sala ou no quarto, com os santos da devoção da família. Na frente da sede da fazenda ou no alto do morro mais próximo sempre se erguiam um cruzeiro. Até nos morões das porteiras entalhavam, na parte superior, uma cruz e os mais supersticiosos ostentavam uma cabeça de vaca no alto da porteira de chegada da fazenda, para espantar o “mau olhado!” As festas religiosas de São Pedro, São João, do Divino Espírito Santo e outras eram celebradas anualmente. A manifestação mais forte, no entanto, estava nos festejos do Divino Pai Eterno, em Trindade, para onde iam (e ainda vão) milhares de romeiros de todas os recantos do rincão goiano, em intermináveis romarias de carros de bois, a cavalo e a pé. Modo de vida esse, às vezes, criticado por alguns não-católicos, numa demonstração de preconceito, ignorância e certa ingratidão. Pois não percebem que sem essa cultura religiosa de herança cristã, jamais as igrejas evangélicas teriam alcançado o crescimento vertiginoso experimentado no Brasil, o que não ocorre nos países orientais de confissões budista, islâmica, confucionista e xintoísta.

O Fogo da Samambaia Pega no Buriti.

No município de Aurilândia (na época Santa Luzia), há um ribeirão denominado Samambaia, que empresta seu nome à região por onde corre. Dentre as arribadas de migrantes mineiros que vieram para Goiás, na década de 30, várias famílias de Carmo do Paranaíba, São Gonçalves, Patrocínio, Arapuá e de outras cidades do Triângulo Mineiro, mudaram para Samambaia. A maioria com vínculo de parentesco e de amizades. Além da corajosa busca de melhores condições de vida enfrentando o desbravamento daquelas matas férteis, trouxeram ainda a fé evangélica de confissão presbiteriana. A comunidade fundou uma congregação que se reunia para cultuar a Deus e estudar a Bíblia. Aqueles crentes presbiterianos viviam numa atmosfera de solidariedade ajudando uns aos outros nas suas dificuldades cotidianas, realizando mutirões para cuidar das labutas da vida rural como roçar e derrubar mata para fazer “roças”, capinar a lavoura, “bater” pastos, fazer estradas, pontes e outros labores. No período da seca (entressafra), muitos se dedicava m ao garimpo de diamantes e ouro no rio São Domingos e seus afluentes, onde faturavam uma compensadora renda extra e alguns, com mais sorte, até conseguiam fazer pequenas fortunas, pegando boas pedras. Gente simples e modesta, que vivia alegre e desfrutando da abundância da benção do Senhor e do suor do seu rosto. Criava e cultivava de tudo o que se fazia necessário à sobrevivência na fazenda, não comiam “o pão da preguiça” e ninguém era pesado ao seu próximo, antes a prosperidade fazia parte da experiência de cada família que observava piedosamente a filosofia evangélica e calvinista de vida: cultivo da fé em Deus, consagração à família e dedicação ao trabalho.

Tudo corria em Samambaia segundo a rotina do cotidiano, até a chegada por lá, em 1943, de Francisco Martins Porto, conhecido por Chico Martins, parente de algumas daquelas famílias, mineiro que, na época, residia em Goianápolis – Go. Moço distinto, com boa instrução escolar, presbiteriano dedicado e professor da Escola Dominical. Conhecia bastante as Escrituras e era cauteloso com as “heresias”! Ao chegar, os parentes e amigos perceberam algo diferente no “irmão Chico Martins”, que já não fumava mais, (o uso do tabaco era comum entre os presbiterianos daqueles tempos) e falava das coisas de Deus com um ardor intenso e, para o espanto e incredulidade de alguns, e a curiosidade e interesse de outros, ensinava sobre o batismo com o Espírito Santo, conforme estava escrito no livro dos Atos dos Apóstolos, embora não tivesse recebido ainda a experiência “pentecostal”. Pois, com certa desconfiança e cautela fora, propositalmente, a Anápolis, para conhecer o “estranho” movimento evangélico denominado Assembléia de D eus, mais conhecido vulgar e preconceituosamente de “pentecostes”. Ao ver, porém, as manifestações dos dons do Espírito Santo, a alegria e pureza moral de vida dos crentes “pentecostais”, e ao tomar conhecimento de milagres ocorridos ali, inclusive a cura de José Inácio de Freitas, (pai do Pastor Antônio Inácio de Freitas), desenganado dos recursos da Medicina da época, creu na mensagem pentecostal. E, a partir de então, não apenas buscava o batismo com o Espírito Santo, como pregava sobre ele onde quer que fosse.

Alguns daqueles crentes presbiterianos de Samambaia creram na mensagem anunciada por Francisco Martins Porto. Um deles, Abraão Gonçalves de Melo, resolveu ir à Assembléia de Deus de Anápolis para averiguar o que acabava de ouvir. Lá constatou, maravilhado, a veracidade do testemunho que ouvira. Na companhia do jovem obreiro daquela igreja, Divino Gonçalves dos Santos, retornou, visitando também a Assembléia de Deus de Goiânia, na Rua 55, n° 18, onde presenciou mais evidências da operação de Deus. Na companhia do pastor desta igreja, Manoel de Souza Santos, prosseguiram, os três, a viagem até à cidade de Nazário, onde seria realizado um batismo, por imersão, de dez pessoas que se converteram a Jesus Cristo na Assembléia de Deus recém-fundada ali. No final foram onze os batizados, pois Abraão Gonçalves de Melo não quis esperar para depois, mesmo já sendo batizado por aspersão, conforme o ritual presbiteriano. Após ter descido às águas batismais, Abraão Gonçalves de Melo teve uma visão em sonho na qual viu um b ando de pombas sobrevoando Samambaia e Aaurilândia. Na interpretação do Pastor Manoel de Souza Santos, Deus estava avisando que iria derramar um grande avivamento do Espírito Santo naquela região e por isso ordenou que Divino Gonçalves dos Santos, que após o batismo voltaria a Goiânia, fosse até Samambaia.

No dia 12 de julho de 1943, Divino Gonçalves dos Santos e Abraão Gonçalves de Melo continuaram a viagem para Samambaia a pé, onde dois dias depois, foram recebidos com grande expectativa e alegria pelos irmãos. Logo que chegaram, começaram a pregar o evangelho de Cristo enfatizando o batismo com o Espírito Santo como uma promessa atual e não apenas para os dias apostólicos, como ensinavam antes os presbiterianos. Num culto, como de costume, a irmã Celentina foi arrebatada em espírito, durante quarenta minutos, onde se encontrou “na cidade celestial”. Ali viu um anjo, com o “Livro da Vida” na mão, registrando os nomes dos salvos. Quando começou arrolar os nomes dos crentes de Samambaia, iniciando com o de Abraão Gonçalves de Melo, ela, subitamente, voltou ao estado de consciência e passou a relatar a visão. Ao terminar o relato, disse: “Eu deixei o anjo escrevendo o nome do irmão Abraão Gonçalves de Melo”. Este, ao ouvir isto, instantaneamente recebeu o batismo com o Espírito Santo e se levantou do banco fala ndo em línguas estranhas. Logo em seguida o jovem Nicanor Gonçalves de Melo também foi batizado e passou igualmente a evidenciar a mesma manifestação espiritual, acontecendo o mesmo, simultaneamente, com mais de vinte pessoas naquele culto, realizado num rancho coberto de capim sapé. Dezenas de pessoas continuaram a ter o seu encontro com Cristo e sendo revestidas do “poder pentecostal”, tanto presbiterianos como as de origem católica. O poder de Deus se fez presente de forma tão intensa que, durante cerca de um mês, aquele grupo de crentes parou com suas atividades cotidianas, ocupando-se apenas das reuniões de oração e da evangelização na circunvizinhança.

O obreiro Divino Gonçalves dos Santos permaneceu em Samambaia dirigindo, com graça e sabedoria, a nova congregação, agora da Assembléia de Deus, que crescia de maneira fenomenal em numero e na graça de Deus. Constantemente as pessoas se convertiam a Cristo e muitas eram batizadas com o Espírito Santo. Os dons espirituais se manifestavam com plenitude e na sua totalidade: línguas estranhas, interpretação das línguas, profecias, curas miraculosas, na verdade, o cumprimento de tudo o que Jesus prometeu em Marcos 16.17-18: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre os enfermos, eles ficarão curados.” E assim, todas estas maravilhas aconteciam espontaneamente naquela igreja incipiente que tornou-se um espanto para os incrédulos e, para o reino de Deus, uma chama divina inapagável, um novo Pentecostes dos Atos dos Apóstolos, agora nos rincões do o este goiano. Samambaia se transformava em uma nova Jerusalém que iria irradiar a evangelização e a fundação de igrejas nos mais distantes recantos de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso.

Cerca de um mês depois, em 23 de agosto de 1943, foi celebrado o primeiro batismo de oitenta pessoas, de ambos os sexos, jovens e adultas, nas águas do ribeirão Samambaia, de onde saiam louvando ao Senhor com hinos e muitos transbordando seu gozo espiritual em línguas estranhas, enquanto espectadores e curiosos, assistiam tudo em silencio. Até os que, no principio da celebração, se demonstravam irreverentes e blasfemos, mantinham-se emudecidos, ao passo que outros choravam de quebrantamento diante da presença sensível de Deus. Assim foi oficializada a fundação da Igreja Evangélica Assembléia de Deus da Samambaia, com seus primeiros membros: Abraão Gonçalves de Melo, Nicanor Gonçalves de Melo, Jabes Gonçalves de Melo, Eliziário Gonçalves de Melo, José Gonçalves de Melo, Ana Maria de Melo, Manoel Silvestre, João Luis da Silva, Gerci Francisca da Silva, José Luis da Silva, Martins Luis da Silva, Marciano Gonçalves de Melo, Francisca Maria de Jesus, José Antônio da Silva, Antônio José da Silva, Iraci Francisca d e Oliveira, Gricéia Mendes da Silva, Domineu José Fernandes, Agineu José Fernandes, Osmar Mendes, Antônio da Silva Araújo, Lóide Alves da Silva, Jaime Antônio de Souza, e dezenas de outros membros que este espaço não comporta a citação dos nomes de todos eles.

Com a igreja formalmente instituída, construíram um templo de alvenaria e cobertura de telhas, de cerca dez metros de extensão por sete de largura, numa fazenda próxima, visto que o antigo rancho onde se reuniam, ficou com o remanescente de presbiterianos que não aderiram à Assembléia de Deus, inaugurado em 15 de janeiro de 1945, ocasião em que Divino Gonçalves dos Santos também foi ordenado evangelista pelo pastor da Assembléia de Deus de Goiânia, Jácomo Guide da Veiga. A igreja continuou sendo pastoreada por Divino Gonçalves dos Santos, já casado com Isbela Fonseca dos Santos desde 31 de dezembro de 1943. O avivamento continuou com os fiéis se amadurecendo na fé e na doutrina da palavra de Deus enquanto as almas iam se convertendo a Cristo. Nos fins de semanas, grupos de irmãos e irmãs se deslocavam, a cavalo ou a pé, para diversos locais na zona rural e para Santa Luzia e Cachoeira de Goiás, a fim de evangelizar. Nem sempre os resultados eram animadores: as pessoas recebiam a Palavra de Deus com indiferen ça, zombarias e até com agressões verbais ou físicas, chegando até mesmo a ameaças de morte.

Como na Igreja Primitiva, o avivamento de Samambaia também teve seus momentos de dificuldades, sofrendo oposição dos homens e de Satanás, inclusive escândalos, naturalmente. Em Jerusalém houve Ananias e Safira, ali, houve o caso de um irmão de nome Luiz. Mesmo antes de se converter a Cristo, era um homem honesto, trabalhador, bom pai de família, sério e não gostava de confusões. Tornara-se um cristão consagrado e ativo na igreja. Mas, havia naquela região um indivíduo que vivia zombando dos crentes e o provocava sempre. Certo dia, quando um grupo de peões trabalhava na roça, Luiz, depois de ser injuriado e muito humilhado pelo dito desafeto, respondeu-lhe: “Você não é capaz de repetir o que disse”. E o individuo repetiu tudo e acrescentou ainda outros impropérios. Trabalhou o resto dia calado e quando de volta para casa, desfechou um golpe de foice no rapaz e o matou, desaparecendo logo em seguida. A igreja, que decidiu pelo desligamento do criminoso do rol de membros, ficou apreensiva temendo que o escândal o viesse a arrefecer o avivamento. Contudo, o efeito foi contrário, pois caiu um grande temor sobre as pessoas da região, fazendo com que muitas se afluíssem para a igreja em busca da salvação em Jesus Cristo.

O Fogo da Samambaia.

Em 1938, o centenário Distrito do Rio Claro (Comércio Velho), situado à margem direita desse rio, foi transferido para outro local com o novo nome de Itajubá, sendo, em 1943, definitivamente rebatizado de Iporá. Situado em uma região de terras férteis, o incipiente núcleo urbano logo atraiu grandes levas de migrantes de vários lugares de Goiás, Minas Gerais, Pará, Maranhão e de outros estados. No início dos anos 40, muitos mineiros que viviam em Samambaia se mudaram para a zona da mata do córrego Buriti, na jurisdição de Iporá, enquanto algumas famílias fixaram residências no próprio Distrito, como comerciantes, sapateiros, celeiros, carpinteiros, pedreiros e outros ofícios.

Com a alma inflamada pelo poder e a graça de Deus, os crentes de Samambaia sentiram a necessidade de anunciar a “mensagem pentecostal” aos parentes e amigos presbiterianos de Iporá e do Buriti. Ainda no final de julho de 1943, Divino Gonçalves dos Santos e Abraão Gonçalves de Melo partiram para realizar essa missão. Ao chegar a Iporá, pernoitaram na casa de Alberico Augusto da Fonseca, na Rua 24 de Outubro, 520, esquina com a Rua Lázaro Vieira, 170. Naquela noite celebraram o primeiro culto da Assembléia de Deus em Iporá, com a presença da família hospedeira e de um grupo de assistentes inclusive Isbela Fonsceca e Olga de Amorim, esposa do chefe político da região Israel de Amorim, ambas da Igreja Cristã Evangélica, que foram à reunião com a intenção de difamar depois os “pentecostes”. Alberico Augusto da Fonseca e sua esposa Maria Júnia Araújo da Fonseca foram às primeiras pessoas a se aderirem, naquela noite, à novel igreja Assembléia de Deus.

No dia seguinte, os dois missionários prosseguiram viagem até à fazenda de Francisco Dermínio Fernandes, no Buriti. Ali realizaram, nas residências, algumas reuniões onde pregaram o evangelho e expuseram aos ouvintes os ensinamentos das Escrituras concernentes ao batismo com o Espírito Santo. Como em Samambaia, o “avivamento pentecostal” se alastrou também naquela região. Cerca de um mês depois o pastor Manoel de Souza Santos, de Goiânia, realizou o primeiro batismo, deixando plantada ali uma fervorosa congregação que, posteriormente, em 9 de abril de 1944, ficou oficialmente instituída como Igreja Evangélica Assembléia de Deus do Buriti, dirigida, no principio, por Abraão Gonçalves de Melo e depois por Alberico Ausgusto da Fonseca, sob a coordenação do pastor Divino Gonçalves dos Santos, da Assembléia de Deus de Samambaia. Concomitantemente, na região do córrego das Vacas, nas proximidades do Buriti, surgiu outra grande congregação, iniciada com a conversão do fazendeiro Valdemar Nogueira Ramos, que cedeu uma área de sua propriedade para construir um templo, tornado-se, desde então, um incansável evangelista e fundador de igrejas. Do Buriti e do córrego das Vacas a obra de evangelização continuou se espalhando pela zona rural e povoados do vale dos rios Claro e Caiapó com um saldo de conversões sempre crescente, dando origem a outras congregações, como as de Aropi (Diorama), Campo Alegre (Palestina), Campo Limpo (Amorinópolis), Paacu (Jaupci), Monção do Vaz (Isrelândia), Cobó (Moiporá),Boa Vista (Ivolândia), Salobinha (Montes Claros de Goiás e principalmente em Iporá.

De volta a Samambaia, Abraão Gonçalves de Melo manifestou o desejo de levar a mensagem do Evangelho de poder aos conterrâneos de Arapuá. Com o apoio e orientação de Divino Gonçalves dos Santos e da igreja, partiu acompanhado de Nicanor Gonçalves de Melo, em meados de 1944. Como em Samambaia e no Buriti, a mensagem teve maior receptividade na zona rural, embora algumas famílias tivessem se convertido na cidade. A chama do avivamento do Espírito Santo se alastrou também ali como um fogo indomável e em pouco tempo os dois missionários fundaram uma congregação na fazenda Ribeirão do Carmo. Abraão Gonçalves de Melo que dirigia interinamente a recém-fundada igreja, antes de retornar a Goiás, solicitou, por carta, ao Pr Paulo Leivas Macalão, presidente da Assembléia de Deus de Madureira, Rio de Janeiro, que enviasse um pastor para continuar a obra de evangelização. Atendendo à solicitação, foi enviado o Pr Manoel José de Mendonça e sua esposa Irene Mendonça, daquela igreja matriz, para Arapuá. Logo que chegou, celebrou em local ao ar livre, o primeiro batismo de 41 pessoas de ambos os sexos, realizado naquela cidade, em 15 de outubro de 1944, sob forte perseguição por parte da população, quando os crentes pentecostais foram apedrejados, ficando muitos feridos e ensangüentados. Mas a obra não parou, a congregação foi transferida para a cidade e constituída como Igreja Assembléia de Deus de Arapuá, a primeira naquela região, que se multiplicou em muitas outras pelo Triângulo Mineiro e no dia 11 julho de 2004, comemorou seu Jubileu de Diamante. No seu Rol de Membros constam ainda hoje dentre os fundadores, além dos dois missionários de Samambaia, nomes como os de José Gonçalves de Oliveira e Maria Cândida de Jesus, José Gonçalves de Borba e Geralda Cândida, Manoel Antônio dos Santos e Maria Severina de Jesus, Inocêncio Gonçalves de Oliveira e Maria Florcena de Jesus, Miguel Gonçalves de Oliveira e Feliciana Albina de Jesus, e Hamilton Gonçalves de Oliveira. Missão cumprida, os dois “apóstolos” retornaram à sua igreja de origem, para levar o avivamento pentecostal a outros rincões de Goiás.

Nesse interregno, a obra de evangelização em Iporá não alcançava o mesmo progresso, em razão do forte preconceito da população contra os “pentecostais” (inclusive dos evangélicos das igrejas Cristã Evangélica e Presbiteriana) e da cerrada oposição dos padres salesianos, responsáveis pela capela do Distrito, Henrique Béssemam e José Maria Ciocci. Um pequeno grupo de crentes, no entanto, vinha da igreja do Buriti, realizar cultos aos Domingos, nas residências de alguns crentes e de simpatizantes ou em praça pública, quando, às vezes, eram apedrejados e escorraçados pelos padres e seus seguidores exaltados. Somente a partir de 1947, se estabeleceu um local definitivo de culto, com reuniões regulares no transcorrer da semana, sob a direção do diácono Miguel Coelho da Cunha que, durante cerca de um ano, não presenciou a conversão de uma única alma. Depois desse período estéril, o fazendeiro Geraldo Galvão, que observava a persistência do pregador solitário com seu grupinho que não crescia, compadecido dele, resolveu se converter com a intenção de ajudar “aquela gente rejeitada”. A partir desse episódio, as conversões continuaram e logo se formou uma Congregação. Geraldo Delfino de Araújo, em 1949, prosseguiu dirigindo a nascente igreja, sofrendo ainda fortes perseguições, tendo, algumas vezes, que realizar os cultos públicos com a proteção da polícia, por determinação do Delegado. Sob supervisão do Evangelista Divino Gonçalves dos Santos, construiu e inaugurou, em 1950, um pequeno templo na Rua Goiânia, 372, na esquina com a Av. Dr Neto (endereço atual do templo sede) de aproximadamente seis metros de largura por dez de comprimento. A situação de oposição apenas deixou de existir ostensivamente a partir de 1952, quando o primeiro prefeito da cidade, eleito e empossado desde 1949, Israel de Amorim, foi a Goiânia e retornou com dois aviões, trazendo o Secretário Estadual de Segurança Pública e oito policiais militares, que repreenderam os opositores e os cientificaram da liberdade religiosa e de culto, garantida pela Constituição Federal.

Em 20 de agosto de 1953, o então pastor Divino Gonçalves dos Santos foi transferido de Samambaia para a Igreja Assembléia de Deus de Iporá, na época com 71 membros, quando passou a ser a sede do campo, com jurisdição eclesiástico-administrativa sobre todas as Assembleias de Deus do centro-oeste goiano: Caiapônia, Piranhas, Aragarças, Fazenda Nova, Jussara e São Luis dos Montes Belos, inclusive a de Samambaia, com suas respectivas subcongregações nos distritos, povoados e zona rural. Na década de 50, a igreja experimentou novo ritmo de crescimento e logo superou em números de membros as outras denominações evangélicas da cidade. Já em 1956, o pastor Divino Gonçalves dos Santos inaugurou um novo templo com cerca de nove metros de largura por vinte de extensão, ao lado do já existente. Concomitantemente com a festa de inauguração foi realizada a Convenção Regional das Assembleias de Deus do Estado de Goiás, quando esteve presente o Presidente Nacional das Assembleias de Deus do Ministério de Madureira, pastor Paulo Leivas Macalão, vindo da então capital federal Rio de Janeiro que, ao ser recebido no aeroporto da cidade por uma multidão de crentes que acorreu para junto dele, ao descer do avião, repreendeu-os nos seguintes termos: “ Que é isso irmãos?! Eu não sou Deus não. Eu sou humano”. A pequena cidade de Iporá ficou fervilhando de evangélicos vindos de várias cidades de Goiás e de outros estados. A população nunca havia presenciado um evento daquela natureza e dimensão e a partir daí mudou a sua concepção a respeito dos “pentecostais”. Até o pároco de Iporá, padre Henrique Bessemam, espontaneamente procurou o pastor Paulo Leivas Macalão, na residência do pastor local, para conversar com eles e estender-lhes a mão da conciliação.

Celeiro de Missões.

A Assembléia de Deus de Iporá, em seus 61 anos de existência, colheu um saldo de bênçãos do Senhor realizadas no seu reino, tanto na evangelização regional como transcultural que, sem exagero, se equipara às igrejas dos tempos apostólicos – como a de Antioquia da Síria, por exemplo, que patrocinou a expansão da Igreja na Ásia Menor e na Europa oriental, através dos ministérios de Paulo, Silas e Barnabé. Dentre os muitos exemplos ocorridos, pode-se citar o do Pr Valdemar Nogueira Ramos (de saudosa memória). Natural do Estado do Espírito Santo, farmacêutico formado, veio para Iporá, na fase de pioneirismo da cidade, onde comprou terras no córrego das Vacas, região do Buriti. Ali, além das atividades de fazendeiro, exercia a sua profissão de formação como um “medico” cuidando da saúde da sofrida população sertaneja. Ao receber o chamado do Mestre para ser seu discípulo, tornou-se, como Lucas, “medico de homens e de almas”.

Por volta de 1955, o pastor Divino Gonçalves dos Santos, já pastoreando a Assembléia de Deus de Iporá, orientado por Deus em oração e guiado pelo Espírito Santo, decidiu evangelizar a região de garimpos de diamantes de Barra do Garças, Baliza e Aragarças, na fronteira de Goiás com o Mato Grosso, enviando Valdemar Nogueira Ramos para essa missão. Foi realizada uma campanha para levantar recursos financeiros. Embora as condições econômicas dos membros da igreja fossem modestas, com a maioria constituída de operários e de trabalhadores rurais, as ofertas renderam CrS 154.000,00 (cento e cinqüenta e quatro mil cruzeiros), vultosa soma para a realidade da igreja na época. Para não perder tempo, embarcou no avião DC3 da Nacional, que fazia a linha Goiânia-Iporá-Baliza- Aragarças. Depois de alguns dias evangelizando a pequena cidade de Baliza, deixando ali um grupo de convertidos servindo o Senhor, seguiu para Barra do Garças em um pequeno barco, descendo o rio Araguaia. Deus abençoou o seu ministério nesse novo campo de trabalho e em pouco tempo fundou a Assembléia de Deus naquela cidade, que passou a ser quartel-general da ação evangelizadora nas regiões do vale Araguaia, centro e norte do Mato Grosso e o oeste de Goiás. Atualmente, cinqüenta anos após a chegada desse missionário pioneiro, a Assembléia de Deus de Barra do Garças se tornou um dos maiores campos eclesiástico e a sede da Convenção das Assembleias de Madureira no Estado do Mato Grosso e, durante os dias 12 a 19 junho de 2005, comemorará o Jubileu de Ouro de sua fundação no seu grande e majestoso templo – Catedral da Assembléia de Deus. Assim, Valdemar Nogueira Ramos pode ser considerado um dos primeiros missionários enviados, oficialmente, pela Assembléia de Deus de Iporá.

No campo de Iporá, inclusive da Assembléia de Deus de Samambaia, além de Valdemar Nogueira Ramos, Deus levantou um batalhão de pastores onde se pode mencionar José dos Santos Ferreira (Pr Ferreira), Antônio Domingos Batista (Antônio Mateus), José Brandão Porto, Geraldo Delfino de Araújo, Jaime Antônio de Souza, Durvalino Nogueira, Geraldo Gonçalves Cardoso, Amador Carlos dos Santos, Valdomiro Raimundo de Souza, Valdemar Nogueira Ramos, Odilon Vieira, Waldemar Alves da Silva, Pedro Coelho da Cunha, Antônio Pinto Balduino, Francisco Alves Diniz, Abraão Gonçalves de Melo, Alberico Augusto da Fonseca, Joaquim Alves de Souza (Quinca), só para exemplificar, e apenas referindo-se aos pioneiros dos anos 40 e 50, sem mencionar ainda os que surgiram nas décadas posteriores, inclusive evangelistas, presbíteros, diáconos, diaconisas e missionárias que estiveram e estão engajados na multiforme obra do reino de Deus.

Desde o início da sua fundação, especificamente na cidade de Iporá – depois da organização da igreja no Buriti, em 9 de abril de 1944 – até o momento presente, nove obreiros do Senhor pastorearam a Igreja Assembléia de Deus. O diácono Miguel Coelho da Cunha deu inicio à Congregação, em 1947, abrindo o primeiro salão de cultos e a dirigiu até 1949. Em segundo lugar, veio o evangelista Geraldo Delfino de Araújo, de 1949 a 1953, responsável pela construção do primeiro templo inaugurado em 1950. O terceiro foi o pastor Divino Gonçalves dos Santos, de 1953 a 1960. Ele construiu o segundo templo, inaugurado em 1956. O quarto a assumir o pastorado da igreja foi o pastor Durvalino Nogueira, de 1960 a 1964. Em 1964, Divino Gonçalves dos Santos assumiu o pastorado da igreja pela segunda vez, até 1967, quando foi transferido para Brasília, deixando em fase de acabamento o terceiro e atual templo, na época, com traços arquitetônicos de linhas retas, em estilo modernista, situado à Rua Goiânia, 372, que substituiu o anterior que fora demolido. O sexto pastorado coube ao pastor Geraldo Gonçalves Cardoso, de 1967 a 1974, que concluiu e inaugurou, em 1972, o referido templo inacabado. Homem de profunda espiritualidade e fé e de um coração genuinamente de pastor, pois todas as vezes que se excluía um membro da igreja, não conseguia conter a profunda tristeza sentida e se desabava em pranto.

Seu substituto foi o pastor Geraldo Mariano da Silva, que pastoreou a igreja de 1974 até 1986. Além de dar prosseguimento ao dinamismo evangelístico de seus antecessores, procurou elevar ainda mais o nível da igreja no conhecimento das doutrinas bíblicas, em detrimento dos costumes tradicionais que se tornaram obstáculos ao crescimento da igreja já na realidade de uma nova geração, onde o número de membros excluídos praticamente superava o de neoconvertidos. Era um dedicado e profundo estudioso e conhecedor da Bíblia e possuidor de ampla e valiosa biblioteca. Incentivou os obreiros a fazerem Cursos Teológicos, pelo Seminário Paulo Leivas Macalão, enviou seminaristas, de ambos os sexos, ao Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, em Pindamonhangaba – SP. e ao Seminário Evangélico Betânia, em Coronel Fabriciano – MG. Fundou em Iporá o Núcleo 133 da Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus – EETAD, extensão de Campinas – SP. Postura esta que lhe rendeu críticas de que era pastor de gabinete e dos livros, por setores mais conservadores da igreja. Restaurou o templo recém-inaugurado, que ameaçava desabar o telhado e o reinaugurou, ocasião em que se realizou também a Convenção Regional das Assembleias de Deus de Goiás, em 1074. O oitavo pastorado coube ao pastor Jaime Antônio de Souza, filho da igreja de Samambaia e dos primeiros que foram alcançados pelo avivamento pentecostal de 1943, quando ainda era muito jovem. Sua permanência em Iporá ocorreu de 1986 a 1995. Durante sua gestão episcopal, construiu e inaugurou, em 1992, o grande templo – a Catedral – no Bairro Mato Grosso, fundou Escola Conveniada Evangélica Betel, e construiu e ampliou vários templos de congregações. Por fim, o pastor Oides José do Carmo, pastoreou de 1995 a 2002. Durante o seu pastorado, como homem de Deus de destacada formação bíblico-teológica e cultural, além do crescimento espiritual a igreja experimentou um avanço de décadas na atualização dos costumes sócio-culturais e de gestão pastoral. Exerceu ainda, concomitantemente, durante dois anos, a Presidência da Convenção Regional das Assembleia de Deus do Estado de Goiás. Realizou a reforma e remodelação do templo sede, substituindo seus traços modernistas simples, de linhas retas, pelo estilo neogótico mais rebuscado e atraente que ostenta atualmente. Ao ser transferido para a Assembléia de Deus de Campinas, em Goiânia, foi substituído pelo Pr Neuton Pereira Abreu, que presidiu a igreja de 26 de agosto de 2002 à 30 de agosto de 2005 e foi substituído pelo Pastor Ataul Alves Rosa, que já está no terceiro ano do seu abençoado ministério pastoral à frente de Assembléia de Deus de Iporá.

Perfil Atual da Assembléia de Deus de Iporá

A jurisdição da Assembléia de Deus de Iporá abrange, além desta cidade, os municípios vizinhos de Ivolândia, Moiporá, Israelândia, Jaupaci, Diorama, Montes Claros de Goiás, Amorinópolis, e os de Floriano e Canto do Buriti, no Piauí. Conta atualmente com trinta congregações e dez subcongregações filiadas, num total de 41 igrejas. Seu quadro de obreiros está constituído de 23 pastores, 82 evangelistas, 185 presbíteros, 223 diáconos, 124 diaconisas e 15 missionárias. Mantém uma instituição beneficente – o Lar Bom Samaritano – que abriga trinta internos, de ambos os sexos, incluindo idosos e deficientes. A Casa das Viúvas, um grande barracão com pequenos apartamentos onde várias senhoras idosas vivem independentes e sustentadas pela igreja, através da gestão da CIBE – Confederação das Irmãs Beneficentes Evangélicas – que presta ainda assistência social a dezenas de famílias carentes, com cestas básicas, medicamentos e outros benefícios materiais. Além da educação religiosa, através da Escola Dominical e de Seminários e Cursos temporários, oferece também Educação Infantil e do Ensino Fundamental, da 5º a 8º séries, a 850 alunos na Escola Conveniada Evangélica Betel, que tem sido dirigida desde sua fundação por Terezinha Rodrigues de Sousa, Levi Barbosa da Silva, Alves Silva Bueno e atualmente por Cleuza Gonçalves Gomes, todos membros da Assembléia de Deus. Também sustenta dois casais de missionários com seus filhos, que trabalham na fundação de igrejas em Floriano e Canto do Buriti, no Piauí, além de contribuir regularmente para o sustento de missionários patrícios na Rússia.

No aspecto sócio-cultural e político, a Igreja Assembléia de Deus de Iporá se apresenta numa situação avantajada em ralação às primeiras décadas de sua existência: de um segmento social minoritário e perseguido, desfruta atualmente de alto prestígio e respeito por parte da sociedade e das autoridades civis, políticas, judiciárias, militares e eclesiásticas da cidade. Essa posição não foi alcançada de graça, por benesses de políticos ou governantes, mas é resultado do exercício pleno da fé cristã em perfeita consonância com o exercício da cidadania consciente e engajada social e politicamente. Já na primeira eleição de prefeito e vereadores, realizada em 1949, a Assembléia de Deus elegeu um membro seu como vereador, Itamar da Silva Melo, que exerceu ainda outras legislaturas. Ainda na década de 50, Valdomiro Raimundo de Sousa também foi vereador, diplomado em 1956. Durante o período da Ditadura Militar de 1964 a 1985, a Assembléia de Deus, de modo geral, apoiou a oposição representada pelo MDB, que acomodou o antigo PSD, partido do antigo líder político local apoiado pelos evangélicos, Israel de Amorim. Essa foi uma postura corajosa e de elevada consciência política, pois a situação dominante do país, comandada pelo Regime Militar de 64, representado partidariamente pela a ARENA, era de cerceamento e repressão aos que fizessem oposição aberta ao governo. Mesmo nos tensos “anos de chumbo” da Ditadura, a Assembléia de Deus não se alienou da ação política, mas elegeu um de seus membros para a Câmara de Vereador, Newton Caetano Ribeiro, em 1979, pelo MDB. Nos anos 80, já no expirar do Regime ditatorial, a igreja elegeu o vereador assembleiano, Adoir José Fernandes, pelo PMDB, e na década de 90 foi a vez de Silas Diniz, pelo PDC, representando, como membro, a Assembléia de Deus. Na gestão passada, que se encerrou em 2004, dois membros, Laudissom Ribeiro da Fonsceca e Auelione Alves da Silva foram vereadores. E atualmente a igreja está representada politicamente na cidade pelo vereador e Ev Divino Leandro e pelo vice-prefeito, o ex-vereador Auelione.

Membros da Assembléia de Deus de Iporá hoje estão presentes em diversos cargos da administração pública, tanto nas esferas municipal, estadual e federal, nas áreas da Educação, Saúde, Segurança Pública e outras instâncias do poder. Há um grande número de policiais militares praças e oficiais, lotados no 12º BPM de Iporá, que são membros atuantes da Assembléia de Deus, como o Coronel Job, recém-transferido para o Comando Regional da PM de Aparecida de Goiás; o Tenente Nilson, Comandante da Banda de Música da PM, só para exemplificar. O atual Chefe de Instrução do TG de Iporá, Sargento Sousa Junior é membro da igreja, como também o era o Sargento Osman, que o antecedeu. No Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente está, como presidente, o Pr Juscelino Fortunato de Freitas Filho, sem mencionar outros casos que este espaço não permite. Outro fator que demonstra a posição de prestigio e influência da Assembléia de Deus em Iporá é o alto nível cultural de seus membros, com grande parte deles sendo portadores de cursos superiores em diversas áreas de graduação profissional, inclusive em razão da existência, na cidade, de uma Unidade Universitária da UEG há mais de quinze anos e mais uma faculdade particular, a FAI. São advogados, farmacêuticos, odontólogos, professores universitários e da rede pública, contabilistas, comerciantes, fazendeiros, mestres-de-obras, estudantes de todos os níveis, enfim, a cidade progrediu e com ela elevou-se também o nível intelectual da igreja em geral, o que demanda um preparo mais elevado, tanto do ponto de vista teológico como acadêmico, de sua liderança e dos que cooperam nas atividades eclesiásticas, além da imprescindível graça e sabedoria de Deus. Mudanças essas, às vezes, incompreendidas pelos membros que fazem parte da velha geração ou que esposam suas convicções tradicionais, levando-os fazer julgamentos infundados que apontam para um suposto estado de decadência espiritual da igreja ou a criar resistência às mudanças necessárias, implantadas pelo Pastor Presidente e o Conselho Ministerial, exigidas pela dinâmica do tempo e pela evolução cultural e dos costumes. Contudo, não é uma igreja elitizada. Pelo contrário, o universo heterogêneo de seus membros, forma um protótipo, em miniatura, da sociedade iporaense, onde estão presentes pessoas de todas as classes sociais, vivendo harmoniosamente na fraternidade cristã, sem preconceitos ou discriminações de quaisquer naturezas e cooperando juntas na obra de Deus.

Conclusão

Esta súmula histórica foi embasada em informações de entrevistas, depoimentos e documentos fornecidos por pioneiros remanescentes das Assembleias de Deus de Samambaia e Iporá, na década de 80, com a finalidade de escrever o livro Quando a Samambaia Pegou Fogo (ainda não concluído) e em fontes bibliográficas preciosas publicadas nos últimos dois decênios: Igreja Assembléia de Deus em Goiás – Pr Amador Carlos dos Santos; Eu e Você – Pr Divino Gonçalves dos Santos e missionária Isbela Fonseca dos Santos; O Apóstolo do Centro Oeste Brasileiro – Pr Antônio Inácio de Freitas; REVISTA DO JUBILEU DE DIAMANTE: Assembléia de Deus de Arapuá – 11 de julho de 2004; e Trabalhos Acadêmicos ainda não publicados como História da Assembléia de Deus de Iporá: nos últimos vinte anos, Monografia de graduação em Licenciatura Plena em História, 2001 – José Conceição dos Santos & Laurison Antônio de Oliveira; e A Participação dos Evangélicos na Política Iporaense (1948 – 1992), Monografia de Conclusão de Curso em Licenciatura Plena em História, 2004 – Fernando Oliveira Borges & Vinícius Leonardo Alves Miguel.

Em razão da exiguidade de espaço deste artigo, foram registrados apenas os fatos imprescindíveis à compreensão geral do processo histórico, omitindo-se, portanto, muitos outros acontecimentos importantes, só cabíveis nas paginas de um livro. Como historiador, posso afirmar que escrever sobre fatos históricos não é tarefa fácil, visto que se lida com acontecimentos de um passado distante, o que ocasiona eventuais equívocos e anacronismo, principalmente quando se recorre à pesquisa oral. Nesses casos, a contribuição dos leitores, no sentido de fazer devidas correções é indispensável, através do envio, à redação, de informações documentais e depoimentos fidedignos. Por outro lado, sempre haverá pessoas insatisfeitas, pois o historiador, antes de tudo, não se deve conduzir pelas emoções e simpatias pessoais, mas pela razão e com a maior isenção possível na busca da verdade histórica.

“Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas”. (Ap 4.11).

(o autor)
Moiseis Alexandre Gomis

Ministro Evangélico Pr. da Assembléia de Deus em Iporá – GO. Na congregação da Vila Brasília – Teólogo, Historiador, Pesquisador, e Prof. na Universidade Estadual de Goiás – UNU de Iporá, de 1997-2007, na Rede Estadual de Educação – na, Escola Estadual Evangélica Betel e na FATAD – Núcleo de Extensão de Iporá e escritor. Tel. (64) 674-3272. Iporá, 28 de setembro de 2007.